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sábado, 22 de outubro de 2011

Sentimentos e verdades inconstantes



Não é que eu odeie falsos amores e clichês
É só que eu nunca gostei de ilusões
Não, não existe o benefício da dúvida
Somente certezas, escolhas e erros
Mas e quando o errado é melhor?
E quando o certo é difícil?
Ai tudo fica complicado
Principalmente quando se tratam de pessoas
Ou melhor, de sentimentos
Já a vida não prega peças
São apenas as pessoas que a subestimam
E um amor incompreendido
Dói demais, isso é clichê
Mas como eu disse não é que eu odeie clichês
Na verdade eu odeio
Mas não é como se eu tivesse muitas escolhas
O que sinto de fato é comum
Mas não foi me dada à chance
De optar não sentir
A verdade é que sempre se pode escolher
Ou será que não?
Até que ponto um sentimento é dominável?
Será que existe razão sentimental?
Novamente a dúvida não é um benefício
Só uma dura sentença
Mas por enquanto é tudo o que eu tenho
Uma sentença e um incompreendido, incompreensível
E assustadoramente clichê (há controvérsias)
Amor platônico
E Irritantemente
Subliminar
Autor : Eu ...

Na verdade estava com preguiça de escrever (huueuheus) e resolvi postar um poema antigo...

sábado, 9 de abril de 2011


Amar
 
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


Carlos Drummond de Andrade